O plural do meu coração singular.

Sempre me senti um pouco diferente, não que isso seja estranho, com o tempo percebi que isso é absolutamente normal na minha idade. É estranho saber disso. Porque eu não posso simplesmente não me importar? Eu deveria estar pensando no trabalho de amanhã ou em qualquer coisa que me faça sentir mais bonita. Não consigo. Meu ego é apenas um disfarce de tudo que sinto por dentro.

Desde que comecei a escrever, todas as minhas palavras tentaram descrever algo que eu ainda não tenho certeza que existe. Minha imaginação é fértil, e o meu coração também – pelo menos costumava a ser. Pessoas, simples pessoas que talvez hoje nem saibam da minha existência se tranformaram em personagens, com características, atitudes e sentimentos criados por mim. Mas, isso já não faz tanta diferença, meus sentimentos nunca duram para sempre. A história sempre acaba na metade.

Sei que quando o sentimento acaba, a pessoa continua.
Só ainda não aprendi a aceitar isso.
Muitos dirão que é pra frente que se anda, que quem vive de passado é museu, que figurinha repetida não completa álbum e que águas passadas não movem moinho. Eu até concordaria se a vida fosse baseada em informações precisas como um cálculo matemático, ou uma aula de estatística, mas felizmente ela não é, aliás, como muitos gostam de dizer, a vida é uma caixinha de surpresas.

A questão é que geralmente associamos o passado a situações dolorosas, como uma relação que não deu certo, cujo término pesou no coração durante muito tempo, até que o próprio tempo se encarregou de amenizar a dor e com mais tempo ainda eliminou as cicatrizes. Durante esse meio tempo, vez ou outra choramos baixinho antes de dormir, desejando que o tempo e que o mundo dê muitas voltas, e ele dá, não somente para uma das partes, para todos. Você muda e o outro muda. Pode ser que cresçam e que amadureçam, e tenham aprendido com tudo o que viveram desde a última vez que se viram. E ai? Ai que um dia você acende a luz e percebe que aquele monstro que temeu durante anos, era um amontoado de lembranças velhas e cansadas e que se dissiparam na claridade. Não há mais mágoa ou ressentimentos e por isto deixamos de temê-lo, mas só por que deixamos de temê-lo devemos deixar que ele volte para nossas vidas?
É difícil deixar que uma pessoa volte a nossas vidas depois de tanto tempo, mesmo que tenha consciência de que mudou, de que vocês dois estão melhores e mais maduros, sempre há o medo de ser magoada novamente, de ver a coisa toda dar errada outra vezes e se culpar por que você decidiu ver um filme repetido, cujo final você sabia de cor.

Mas como vocês sabem, viver não é preciso. Fernando pessoa uma vez escreveu: “O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto”.

O passado não á algo a ser descartado, ele ainda faz parte das páginas do livro que narram sua vida, como disse Fernando Pessoa, viramos a página, mas a história que contamos ainda é a mesma. Não se agarre ao passado esperando que as coisas ou pessoas que estiveram nele voltem a sua vida, mas se acontecer não interprete como sinal de fraqueza ou como um retrocesso, afinal a cada virar de página encontrará novas linhas a serem escritas, que apesar de “novas” pertencem as páginas que contam a mesma história, a sua. Não há como evitar, é a vida, há que se viver.
Eu nem me lembro de quantos pés na bunda já tomei, viu? Foram muitos e eu lembro de alguns. Mas não vou expor publicamente a minha lista de desilusões, até porque independentemente do tamanho, o motivo básico sempre foi o mesmo: não gostar o suficiente para ficar comigo.

“Mas não é tão simples assim, menina. As vezes você gosta da pessoa, mas não dá certo por algum outro motivo. Gostar não é o suficiente para manter um relacionamento, sabia?”

Tá bom, tá bom. Lógico que eu sei. Neste exato momento eu concordo plenamente. Acontece que, no auge do coração partido, o lado emocional do meu cérebro está cagando para os discursos do lado racional e eu preciso de um remédio mais rápido do que Compreensão - que geralmente só funciona em doses homeopáticas. Homeopatia para Dor de Cotuvelo? Tô fora! Eu quero é analgésico na veia.

Quando eu chego à conslusão de que o sujeito não gosta de mim, aceito a situação mais rápido. Porque é definitivo, sabe como? Não tem química, acabou, sei lá. Não rola e ponto final. Primeiro eu quase morro de chorar, lembro de todas as coisas erradas que fiz nesta vida, depois dá uma certa raiva do cara porque ele também não é perfeito, e é justamente com esta raiva que eu saio andando. Depois passa. O choro, a raiva, passa tudo.

Outro detalhe: se eu tentar entender a complexidade do ser-humano nestas horas, despenco em um abismo de falsas esperanças e fico empacada naquelas armadilhas insanas do Amor Platônico. Ah, eu me conheço. É aí que eu vou parar, pode ter certeza. Eu vou ficar um tempão naquele papo de “e se eu fizer isso”, “e se eu fizer aquilo”, “e se eu tivesse feito isso e aquilo”? E sabe do que adianta isto quando um não quer? Nada!

O raciocínio mais analgésico pra mim nestes momentos é o seguinte: Seja qual for o motivo de um NÃO, o resultado é sempre o mesmo. Não rola. E se não rola, é porque o cara não gosta tanto assim de mim. Raciocínio fraco? Pode ser. Mas o analgésico é forte. Seguem algumas doses que eu já tomei por aí:

Nós somos muito diferentes.

Esta eu já ouvi antes e depois de começar. Diferentes? Defina diferentes. Gostos? Jeito de ver a vida? Planos para o futuro? Meus pais são dois opostos completos e estão juntos há 50 anos (e felizes - importante citar). Justamente por serem diferentes, aprenderam um com o outro. O mundo cresceu no meio das diferenças. Desculpe, mas esta não cola. Quem gosta de verdade quer tentar. Não tem nada assim tão fácil nesta vida mesmo. Quer moleza? Namore com um pudim.

Não quero correr o risco de perder a nossa amizade.

Xi, foi mal, cara. Porque, a partir do momento em que eu comecei a gostar de você a amizade foi pro saco. Já era. Quer me dar outra desculpa? Eu espero você inventar, sem problemas. Agora, se você preferir, pode me falar a verdade mesmo: “Eu não tenho atração por você.” Vai doer mas é um Santo remédio. Porque eu vou realmente desistir de você. Não vou ficar alimentando seu Ego junto com as minhas falsas esperanças. Pode ser?

Você precisa de alguém mais legal do que eu - O problema sou eu, não você.

Tá bom, vai. É até bacana isto de jogar a culpa em você para que eu não me sinta tão mal. Mas aí eu posso cair naquela história sem fim de tentar ajudar você, de ser sua amiga até que você fique melhor e tal… Sabe como? A esperança é a última que morre. Então, eu peço, por favor: ACABE COM AS MINHAS ESPERANÇAS! Obrigada.

Eu não estou bem. Preciso ficar sozinho.

Tá bom. Tchau. (Esta não merece nem comentários, afinal de contas o cara quer ficar sozinho, certo? Então o negócio é fazer a vontade dele o mais rápido possível)

Nossos caminhos tomaram rumos diferentes.

Peraí, peraí… Você está mudando de país? De planeta? Você não gosta mais de mulher? Que caminho é este onde a gente nunca se encontra? Não tem ônibus pra lá? Nem um banquinho de praça pra gente se encontrar na hora da merenda? Meu Deus, pra onde você está indo? Pro inferno? Ah, tá. Tudo bem. Pode ir tranquilo que eu fico por aqui. Aproveita que vai cruzar com o capeta e pergunta se existe alguma desculpa melhor para “não gosto mais de você”.

beeeijinhos.,

Ah e mais, deixem sempre que o tempo resolve tudo.E o destino copera!
Fiqueeem beeem :)

TF

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