Nada além de sonhador
São 6:05 da manhã e o despertador já fez questão de se manifestar. Um belo dia, acordar daquele sonho maravilhoso, tão perto do desfecho. Aquele sonho que a gente cobre a cabeça pra ver se consegue voltar, mas de nada adianta. Mesmo assim, levantamos e chegamos cambaleando ao espelho, onde passamos horas e horas repassando vagamente cada lapso do que ainda está “fresco” na memória, tentando ir mais além. É o que eu chamo de “Síndrome de Wonderland”: mudar de cenário repentinamente e jamais negar que aquilo, de fato, fora real. Não tem como desplugar nosso psicológico e mandá-lo pra cama. Ele funciona como uma criança teimosa: além de sempre deixar à deriva situações embaraçosas, finge que dorme, quando na verdade passa madrugadas criando e assistindo o grande cartoon que foi o nosso dia. Nos perturba por coisas insignificantes e sempre precisa de um novo brinquedinho para se ocupar. Clarinetes, tambores e corais angelicais para o anúncio da noite:crianças não mentem! Sim, é isso mesmo...